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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A MULHER VIRTUOSA


10 אֵשֶׁת־חַיִל מִי יִמְצָא וְרָחֹק מִ‍פְּנִינִים מִכְרָהּ׃ BHS

10 Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de rubins. ARC
10 Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias. ARA
O Livro de Provérbios pertence ao grupo dos que são denominados genericamente “poéticos e sapienciais”. Ele é composto por uma série de coleções que, em forma de máximas, refrães, ditos e poemas, transmitem a antiga herança de sabedoria de Israel. O conteúdo, no seu conjunto, é encabeçado pelo título “Provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel” (1.1 מִשְׁלֵי שְׁלֹמֹה בֶן־דָּוִד מֶלֶךְ יִשְׂרָאֵל), razão pela qual a obra completa foi atribuída freqüentemente àquele monarca, célebre pela sua sabedoria e autor de três mil provérbios e mil e cinco cânticos (1Rs 4.29-34).
De fato, uma leitura atenta do livro realça rapidamente a complexidade da sua composição. Além de Salomão, são citados como autores ou compiladores de sentenças e ditos: Agur, filho de Jaque (30.1), e o rei Lemuel לְמוּאֵל מֶלֶךְ (31.1), ambos, segundo se crê, oriundos da tribo de Massá, descendentes de Ismael (Gn 25.14). Em três ocasiões, se especifica que Salomão é autor dos provérbios que seguem (1.1; 10.1; 25.1); em outras duas, se atribuem aos “sábios” (22.17; 24.23), e em uma é mencionada a colaboração dos copistas a serviço de Ezequias, rei de Judá (25.1).
Provérbio é denominado de mashal משל em hebraico, palavra aparentada com uma raiz que, além de outros significados, inclui o de “dominar” , “reger”, “ governar”, “ter domínio”, “reinar”. Essa idéia tipifica um autêntico mashal como uma expressão persuasiva e estimulante. Mashal משל como máxima moral ou sentença que avalia e compara diversas condutas e atitudes adotadas frente à vida.
A nossa atenção é voltada para o versiculo 10 do capitulo 31 do livro de Provérbios. O seu contexto mostra que a mulher virtuosa de provérbios ela é compassiva, competente, digna de confiança, diligente, habilidosa, mulher de negócio, fabrica , importa, vende produtos, faz tapeçaria e confecciona roupas, gerencia seus recursos financeiros, planta, colhe, uma excelente dona de casa, esposa, mãe zelosa.(Prov.31.10ss)
O rei Lemuel recebe instruções de sua a mãe a buscar uma mulher virtuosa que é colocada num patamar de valor inestimavel. Pouco se sabe a respeito de Lemuel, a não ser que foi um rei que recebeu sabios ensinamentos de sua mãe. O nome dele significa “dedicado a Deus”. A rainha-mãe era uma personagem de influencia no antigo Israel (I Rs1:11-13 – 15:13). O conselho ao rei Lemuel da parte de sua mãe advertindo acerca de algumas questões, principalmente (vr.10s.) uma esposa exemplar; feliz quem a encontrar . (NVI)
Este versiculo nos apresenta (vr.10) duas coisa: à qualidade e o valor . Esta mulher tem qualidade e também tem valor. A sua qualidade é a virtude, seu valor excede o de rubis (ARC). O termo exceder v.t. Do lat. Excedere; ultrapassar, ir além de. O termo hebraico para virtuosa רחק rachoq vem de uma raiz primitiva que significa; estar ou vir a estar longe, estar ou vir a estar distante. A Bíblia Versão King James diz que: “o seu valor em muito ultrapassa os da finas joias! A Bíblia Nova Tradução na Linguagem de Hoje diz “como é dificil encontrar..,ela vale mais do que pedras preciosas!”. Mostrando seu valor raro e inestimavel.
Observe a qualidade dessa mulher; Virtude – sf. (do lat. Virtus, virtutis) Disposição constante de praticar o bem e evitar o mal, qualidade própria para produzir certos efeitos. Dic. Larousse. O dicionário Priberam diz que é o conjunto de todas ou qualquer das boas qualidades morais. Virtuosa é austeridade no viver, eficácia, força, vigor.
Em nossa sociedade, onde as beleza fisica é exaltada. Se vê mais aparencias e estéticas, valorizando mais o exterior do que o carater. A descrição da mulher virtuosa é um poema acróstico, que exalta a honra e a dignidade da mulher, não o que se pensa hoje em nossa sociedade, um conceito totalmente distorcido de valores. Percebe-se que aparencia dessa mulher não é mencionada. A causa de ser atraente e´exclusivamente atribuido ao carater dela. O curioso é a desvalorização da beleza , mas a enaltece as qualidades. Dessa mulher se menciona “as mãos”, “as palavras”, “o braço”, “sua atividade”, ou seja, aquela que dirige tudo com sensibilidade, competencia e criatividade.

O conselho é que além de sua qualidade especificada e clara para qualquer entendedor , também mostra o se valor que excede o de rubis (ARC).
Rubi é uma pedra preciosa vermelha que faz parte de uma variedade do mineral “coríndon” (coríndon vem do francês que significa rubi). Coríndon, ou Corundum é um mineral à base de óxido de alumínio, que representa valor 9 em dureza, na escala de Mohs. Naturalmente transparente, pode ter cores diferentes de acordo com impurezas que estejam incorporadas à sua matriz. Geralmente o de coloração vermelha é chamado de rubi, ocorrendos outras variações: amarelo, rosa, púrpura, verde e cinzento; o azul é chamado de safira. Existe uma tabela de 1 a 10 que qualifica a dureza dos minerais, isto é a sua resistência. Esta escala foi formada em 1812 pelo mineralogista alemão Friedrich Mohrs com 10 minerais diferentes dureza existente na crosta terrestre.

Dureza Mineral
1 Talco, (pode ser arranhado facilmente com a unha)

2 Gipsita (ou Gesso), (pode ser arranhado com unha com um pouco mais de dificuldade)
3 Calcita, (pode ser arranhado com uma moeda de cobre)

4 Fluorita, (pode ser arranhada com uma faca de cozinha)

5 Apatita, (pode ser arranhada dificilmente com uma faca de cozinha)
6 Feldspato / Ortoclásio, (pode ser arranhado com uma liga de aço)

7 Quartzo, (capaz de arranhar o vidro. Ex.: Ametista)

8 Topázio, (Capaz de arranhar o quartzo)

9 Coríndon, (Capaz de arranhar o Topázio)

10 Diamante, (Mineral mais duro que existe, pode arranhar qualquer outro e é arranhado apenas por outro diamante)
Observe que essa mulher não é comparada ao rubi, o seu valor excede, ou seja, ultrapassa, ela na verdade é comparada a mais rara e preciosa jóia ou pedra preciosa o diamante. O rubi tem dureza 9 na escala de Mohs, e entre as gemas naturais somente é ultrapassado pelo diamante em termos de dureza. A gema é um mineral ou uma rocha, material cortado e facetado e polido. A gema de rubi é valorizada de acordo com varias características incluindo tamanho, cor, claridade, corte. Todos os rubis naturais contêm imperfeições. Quanto menor é menor a imperfeições, mais caro é o rubi. Os rubis naturais são excepcionalmente raros, mas produzem-se rubis artificialmente que são comparativamente baratos.
O diamante é uma forma alotrópica (do grego allos, outro, e tropos, maneira) do carbono (do latim carbo, carvão). O carbono é um elemento notável por várias razões. Suas formas alotrópicas incluem, surpreendentemente, uma das substâncias mais frágeis e baratas (o grafite) e uma das mais rígidas e caras (o diamante). O grafite é condutor de eletricidade, propriedade que permite seu uso em processos de eletrólise. A electrólise é um processo que separa os elementos químicos de um composto através do uso da electricidade. Em química, um composto é uma substancia formada por dois ou mais elementos, ligados numa proporção fixa e definida. Por exemplo, a água é um composto formado por hidrogênio e oxigênio na proporção de dois para um. Sob pressões elevadas, o carbono adota a forma de diamante, A transformação em grafite na temperatura ambiente é tão lenta que é indetectável. Sob certas condições, o carbono cristaliza como lonsdaleíta (A lonsdaleíta é um polimorfo hexagonal de carbono; materiais sólidos poderem existir sob mais de uma forma), uma forma similar ao diamante.
Essa mulher representa no pensamento a mais pura jóia e beleza, com caracteristicas imprescindivel, ao mesmo tempo com a pequenez de um grafite ( fragil), mas preciosa, bela, resitente como um diamante. Por isso torna tão rara, contendo ao mesmo tempo um lado (ao parecer) fragil e, pelo outro lado tá bela e resitente, sabendo diferencias (separar) os elementos essenciais da vida.
Bibliografia
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia King James de 1611
Bíblia Nova Versão Internacional
Bíblia Anotada
Bíblia Peregrino
Biblioteca Digital Libronix
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index. php?lingua=portugues-portugues&palavra=exceder
http://priberam.sapo.pt/dlpo/default.aspx?pal=virtude
http://pt.wikipedia.org/wiki/Corindon
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rubi
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gema_(mineralogia)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Escala_de_Mohs
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carbono
http://pt.wikipedia.org/wiki/Diamante
http://pt.wikipedia.org/wiki/Composto
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lonsdale

sábado, 22 de janeiro de 2011

AGAPE (ἀγάπη ) O AMOR INCONDICIONAL



Fala-se do amor das mais diversas formas: amor físico, amor platônico, amor materno, amor a Deus, amor a vida.
É o tipo de amor que tem relação com o caráter da própria pessoa e a motiva a amar (no sentido de querer bem e agir em prol). As muitas dificuldades que essa diversidade de termos oferece, em conjunto à suposta unidade de significado, ocorrem não só nos idiomas modernos, mas também no grego e no latim.
O grego possui outras palavras para amor, cada qual denotando um sentido específico. No latim encontramos amor, dilectio, charitas.
A palavra amor presta-se a múltiplos significados na língua portuguesa. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação.
Muitas vezes se confundem os termos amor com sexo por estarem associados.
Etimologicamente sexo vem do latim “sexus” do verbo = “sekare”, “cortare”, “separar”, “distinguir”. A definição geral da palavra sexo é, “tudo o que diferencia o homem e a mulher”, e essa diferenciação dá-se em cinco sentidos:
1) No Sentido Morfológico – diferenças anatômicas – Essa diferenciação é bem visível e notada entre um homem e uma mulher. Anatomicamente quase 100% dos órgãos externos e são bem visível. Isto esteticamente falando.
2) No Sentido Fisiológico – diferenças funcionais – como genitálias, voz, glândulas mamarias, distribuição de pelos gestos, atitudes, reações, desempenho e funções.
3) No Sentido Biológico – diferenças bioquímicas – como no caso das hemácias, temperatura do corpo, hormônios, batimentos cardíacos.
4) No Sentido Neurológico – diferenças intelectuais- como formas de pensamentos completamente diferentes e que leva a ter gostos e atitudes diferenciadas um do outro.
5) No Sentido Psicológico – diferenças emocionais – aqui está às maiores diferenças que envolve o lado emocional entre um homem e uma mulher. A ciência bem comprova essa vasta diferença nessa área entre o homem e a mulher, não sabendo essa (mulher) muitas vezes diferenciar “amor” e “paixão”, o fazendo sofrer muito mais no relacionamento.
No sentido restrito “sexo” é a parte fisiológica dos seres humanos e a sexualidade é a parte psíquica, de modo mais amplo a sexualidade é a dimensão da nossa personalidade do sexo. É bom lembrarmos que o sexo na função biológica das pessoas, ela envolve a mente e as emoções. Sexus são características físicas permanentes, que permite distinguir, em cada espécie, os machos e as fêmeas. Também é usado no sentido de órgãos sexuais de um homem ou de uma mulher e em atos sexual, cópula.
 Homem: o sexo é mais biológico do que afetivo
 Mulher: o sexo é mais afetivo do que biológico
 Homem: é um ser basicamente lógico
 Mulher: é um ser basicamente emotivo
 Homem: é um ser mais racional
 Mulher: é ser mais intuitiva
 Homem: é mais pratico naquilo que executa
 Mulher: vê as coisas do lado estético
 Homem: vê mais o conjunto das coisas
 Mulher: cuida dos detalhes
Uma das principais perguntas que geralmente as pessoas fazem na área do relacionamento é: Como a gente sabe se está amando de verdade?
Geralmente há uma confusão muito grande entre o que é amor verdadeiro e alguma coisa que a gente chama de paixão. Nem sempre é fácil distinguir entre amor e paixão. Por isso que muitas pessoas tomam decisões precipitadas.
Existem substancia química agindo no corpo quando uma pessoa está apaixonada. O cérebro regula a liberação de neurotransmissores, os responsáveis por emoções associada amor à paixão. É liberada no organismo, a dopamina – uma substancia que dá a sensação de “como é bom amar” – depois libera a feniletilamina – faz a pessoa sentir como uma borboleta, nos primeiros tempos do romance. A adrenalina, por sua vez, faz suar e coração disparar quando o amado aparece. Mas depois que diminui o efeito do coquetel da paixão; outra substancia trabalham para fortalecer os vínculos do casal. O cérebro libera a endorfina e ocitocina que provocam a sensação de bem-estar.
Pai.xão - sf (lat passione) Sentimento forte, como o amor, o ódio, movimento impetuoso da alma para o bem ou para o mal. Mais comumente paixão designa amor, atração de um sexo pelo outro.
Etimologicamente a palavra paixão vem do latim “patior”, com o significado de padecer, ser afetado por um objeto e reagir por um movimento.
A paixão pode ser dividida em: paixões inferiores ou sensíveis e paixões superiores ou intelectuais. No primeiro estão as paixões básicas do beber, comer, e a sexual; no segundo, a procura da verdade, a produção do belo e o progresso do bem e na justiça.
A paixão pode chegar a dominar a razão e a vontade, substituídas pela imaginação e pelo desejo; isto geralmente acontece com as paixões chamadas inferiores, ao contrário das superiores que exaltam a razão e a vontade.
Há diferenciações em cinco sentidos entre os sexos paixão:
“Paixão” – é algo repentino, aparece num momento.
“Amor” – baseia-se no compartilhar mutuo.
“Paixão” – baseia-se numa satisfação egoísta.
“Amor” – concentra-se em uma só pessoa.
“Paixão” – tem dificuldade de se concentrar em uma só pessoa.
“Amor” – caracteriza por segurança e confiança.
“Paixão” – caracteriza por insegurança e ciúmes.
“Amor” – respeito mútuo e leva ao ajustamento.
“Paixão” – há exploração e manipulação, são emoções inconstantes.
O sociólogo John Alan Lee acrescentou mais três tipos de amor romântico, além dos que já se conhece. Lee designou nomes gregos e latinos para essas categorias, salientando que muitas relações amorosas são combinações de dois ou mais desses padrões.
Amor Fisico Gr. “επιθυμια epithumia” – Desejo, anelo, anseio, desejo pelo que é proibido, luxúria. Vem de επιθυμεω epithumeo que significa “girar em torno de algo.” Vem precedida da preposição επι epi - em cima de, perto de, atráves de. Em junção com “θυμος thumos” - paixão, raiva, fúria, ira que ferve de forma imediata e logo se acalma outra vez.
Desenvolve-se este aspecto, elevando-se o seu valor. Quando usada no sentido negativo é traduzido como lascívia. Quando usado no sentido positivo é traduzido como desejo. Nesse sentido é um bom indicador da saúde da vida de um casal.
Amor Emocional Gr. “ἔρως érōs” - Desenvolve –se este aspecto, criando condições para o romantismo. É também o amor atrativo, instinto, espontâneo, paixão popular romântico, sua origem é no instinto sexual. Está concentrado no corpo, ou seja, se expressa nos membros do corpo. É o amor que busca a satisfação sexual. De acordo com Lee, o érōs muitas vezes se acende com rapidez para logo se apagar e é com pouca freqüência que se transforma num relacionamento duradouro.
Aristóteles diz que érōs sempre começa com o prazer dos olhos, que ninguém se apaixona sem primeiramente ficar encantado pela beleza, e que o amor não é amor. Deve entender que o amor gr. érōs não é pecaminoso e nem diabólico. Mas quando reina sozinho torna-se egoísta e interesseiro.
Amor Social Gr. “στοργή storgē” - Desenvolve-se este aspecto, assumindo a responsabilidade de ser sócio. É também amor afetivo, amor romântico, amor familiar, amor conjugal, amor domestico. Este amor envolve reciprocidade. Este amor é objetivo, pois une almas. Vidas corações, e não apenas corpos. Exige-se disciplina, lealdade entre os dois que amam. Não vivem sós de palavras, sonhos, emoções, mas de fato. O amor gr. στοργή storgē é gradativo, paulatino, ou seja, vai crescendo aos poucos, é totalmente oposto do amor gr. érōs que é repentino, sem expectativa. Stergein designa o sentimento calmo e inserido em nós que, apoiado em um objeto próximo a nós, reconhece que estamos ligados a ele, e se satisfaz nesse reconhecimento.
Para Lee o storgē emerge das amizades, mas não tem um ponto inicial identificável em que as pessoas se dêem conta de que se apaixonaram. O storgē é um tipo de amor estável e sólido que é capaz de suportar crises.
Amor Intelectual Gr. “φιλία philía”. Desenvolve-se este aspecto, trazendo à consciência a responsabilidade fraternal. É amor fraternal, filantrópico (vem de gr. φιλέω philéo), amor ao próximo, generoso, social, patriótico, cívico. O amor não exige raça, sexo idade ou não é independente do contexto. É essencial nas relações humanas (nações, famílias, vizinhos, amigos etc.)
Philía descreve um relacionamento caloroso, intimo e tenro do corpo, mente e espírito. Inclui o lado físico do amor, pois verbo philein pode significar beijar ou acariciar. Mas philía, como todas as coisas humanas podem alterar-se, pode diminuir e seu calor esfriar.
O Amor Ludus, oriundo do latim – zombaria, escárnio, por divertimento, qualquer outro exercícios de recreação, engano. Ludus se refere a um tipo de amor brincalhão descompromissado. Os amantes lúdicos têm propensão a envolver-se num tipo de jogo e em geral não demonstram nenhum comprometimento com o outro. Podem sair com vários parceiros (as) e preservar suas opções evitando depender do amante. Nessa forma de amor, o sexo é mais como uma “brincadeira” do que um compromisso sério.
O Amor Mãnia, em contraste, é o tipo de amor tempestuoso, desordenado. A palavra deriva do grego "μανία" ( mania ), "loucura, frenesi", e que a partir do verbo "μαίνομαι" ( mainomai ), "a louca, a raiva, a fúria.". A Mãnia tem uma conotação de loucura e agitação, é impulsionado por ânsias poderosas – a “necessidade de atenção e afeto por parte da pessoa amada é insaciável”. Esses sentimentos podem ficar tão intensos que a pessoa perde o contato com a realidade. Quando isso acontece a pessoa acredita em coisas estranhas sobre a sua personalidade e que muitas vezes pode agir de forma constrangedora e às vezes pode até mesmo agir de forma perigosa.
O Amor Pragma (πράγμα )é o amor mais pratico e sensato. O amor pragma está em busca da pessoa adequada com uma lista mental de características desejáveis na pessoa amada. Uma vez que seja encontrado o candidato provável, se houver algum entendimento mútuo, o amor pragmático pode evoluir para sentimentos mais intensos.
O amor Pragma é (combinação de Ludus e Storge) amor pragmático, amor prático que sabe bem que qualidade quer do seu par, não procura grande excitação ou intensidade de sentimentos, mas uma vida satisfatoriamente planeada e construída com alguém.
Amor Incondicional Gr. “ἀγάπη agapē”, - Desenvolve este aspecto, pois é independente de qualquer reciprocidade. O amor divino procede do coração de Deus é amor eterno, imutável, incomparável, perfeito. Deus é a perfeição desse amor. Esse “amor” não implica em um sentimento como nos demais, mas sim, numa atitude e comportamento diferenciado. Está associado há um bom relacionamento social e intelectual, psicológico e espiritual.
O amor agapē é o espírito no coração que nunca procurará outra coisa senão o sumo bem do seu próximo. Não se importa com o tratamento que recebe do seu próximo, nem com a natureza dele; não se importa com a atitude do próximo para com ele, nunca procurará outra coisa a não ser o sumo bem do próximo, o melhor para ele. Agostinho disse a respeito de Deus que Ele ama a todos como se houvesse uma só pessoa para Ele amar; o amor cristão deve modelar-se no amor de Deus.

Fontes de Pesquisas
William Barclay – As Obras da Carne e o Fruto do Espírito, pg.60ss.- Ed. Vida Nova
Masters e Johnson - O Relacionamento AMOROSO Segredos do Amor e da Intimidade Sexual, pg.223 – Ed.Nova Fronteira
Sergio e Magali Leoto – Casamento para Crescer, pg.8ss, Ed.Abba Press
Michael Carrera – SEXO Os fatos, os atos e os prazeres do amor, Ed Círculo do Livro
Pe. Fernando Bastos de Ávila - Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo, pag.440
Winkie A. Pratney – A Natureza e o Caráter de Deus, pg.190 ed.vida
http://pt.wikipedia.org/wiki/Amor
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index. php?lingua=portugues-portugues&palavra=paixão
http://origemdapalavra.com.br/palavras/mania/
http://en.wikipedia.org/wiki/Greek_words_for_love
http://en.wikipedia.org/wiki/Mania
http://www.webservos.com.br/gospel/estudos/

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Koinõnia X Pleonexia



Pleonexia, às vezes chamado pleonexy, provém da língua grega πλεονεξια e é um conceito filosófico empregados tanto no Novo Testamento e nos escritos de Platão e Aristóteles. Ele corresponde aproximadamente à ganância, a avareza, que é rigorosamente definido como "o desejo insaciável de ter o que por direito pertence aos outros", descreve-se como "cruel egoísmo e uma suposição arrogante de que os outros e as coisas existem para benefício próprio” apetites e desejos sexuais contrários às leis de Deus e dos homens. Pleonexia é o pecado que deu livre vazão ao desejo de ter o que não deve.
A idéia etimológica de pleonexia está em pleon, que significa “mais”, “ter mais”. A avareza é uma palavra que sugere ainda outro sentido em pleonekteo πλεονεκτεω e significa “tirar vantagem, lesar, defraudar ou enganar, alguém ansioso para ter mais, o que pertence aos outros, ávido por ganância, cobiçoso”. Vários textos bíblicos ilustram esses significados (2 Co 7.2;12.17,18; 1Ts 4.6).
Marcus Tullius Cicero, (106 à 43 a.C) filósofo, orador, escritor, advogado e político romano. Normalmente visto como sendo uma das mentes mais versáteis da Roma antiga. Foi ele quem apresentou aos Romanos as escolas da filosofia grega e criou um vocabulário filosófico em Latim. Cicero definiu avaritia (avareza), como injuriosa appetitioalienorum, “o desejo ilicito pelas coisas que pertencem aos outros”.
William Barclay diz que pleonexia πλεονεξια descreve como "um amor maldito de ter", que "vai prosseguir os seus próprios interesses, com total desrespeito pelos direitos dos outros, e até mesmo para as considerações de humanidade comum". Ela opera em três esferas da vida. Na esfera material envolve "agarrar no dinheiro e bens, independentemente de honra e honestidade". No plano ético, é "a ambição que pisoteiam os outros para ganhar algo que não tem significância para ele". Na esfera moral, é "a cobiça desenfreada que leva o seu prazer onde ele não tem direito de tomar". Pleonexia é o apelo do agindo injustamente à custa dos outros. Esse pecado tem destruído muitos cristãos, os quais, uma vez dominados pela avareza, são capazes de articular situações fraudulentas e de tirar vantagens da boa fé de outras pessoas, desde que satisfaça apenas o seu aproveito próprio (2 Pe 2.3).
Koinonia é um termo grego da palavra (κοινωνία), que significa comunhão, participação íntima. A palavra é usada freqüentemente no Novo Testamento da Bíblia para descrever a relação dentro do primeiros cristãos da igreja. Koinõnia significa "um participante", compartilhar uns com os outros em uma propriedade em comum. Implica o espírito de partilha generosa ou o ato de dar, em contraste com o egoísmo (pleonexia πλεονεξια) recebendo. Quando koinonia está presente, o espírito de partilha e de dar torna-se palpável. Na maioria dos contextos, a generosidade não é um ideal abstrato, mas uma ação demonstrável, resultando em uma expressão concreta e realista de dar. No grego clássico, koinonein significa "ter uma participação em uma coisa"
Também significando um companheiro, um parceiro ou um co-proprietário. Portanto, koinonia pode implicar uma associação, o esforço comum, ou uma parceria em comum. O termo também pode referir a uma relação espiritual. Nesse sentido, a significar algo que é mantido e partilhadas com outros para Deus, falando com Deus "homem" relacionamento com ele. Epicteto fala de religião como “com o objetivo de ter koinonia com Zeus”. A comunidade cristã primitiva viu isso como uma relação com o Espírito Santo. Neste contexto, destaca koinonia um propósito maior ou missão que beneficia a maior parte dos membros como um todo. O "termo" entusiasmo é ligado a este sentido de koinonia pois significa "estar imbuídos do Espírito de Deus em nós. "
Koinõnia significa “tendo em comum”; koinos, ‘comum’, ‘pertencente a vários’; em latim, communis, referido a coisas tidas em comum (At 2.44; 4.32); à fé (Tt 1.4); à salvação (Jd 3); é alguém que tem participação, companheirismo reconhecido e desfrutado. É usado acerca: das experiências e interesses comuns dos cristãos.
Koinõnia é o espírito do compartilhar gracioso em contraste com o espírito egoísta que deseja obter tudo para si.
Pleonexia significa “uma ganância arrogante”, é o espírito que procura tirar aproveito do seu próximo. O verbo corresponde, pleonektein, significa “defraudar” ou “burlar”. Está ligado com a conduta “totalmente desavergonhada”, com “ambição que se excede”, “o desejo ilícito pelas coisas que pertencem aos outros”. Pleonexia - “cobiça”, literalmente, “desejo de ter mais” (formado de pleon, “mais”, e echõ, “ter”), sempre no sentido ruim.
As Cincos Diferenças entre Koinõnia X Pleonexia
1ª- Koinõnia – Significa “compartilhar de amizade”, é uma permanência no convívio dos outros. At.2:42
Pleonexia – O homem cujo único desejo de obter e que nunca sequer pensa em dar, egoísta. Lc.12:15
2ª- Koinõnia – Significa “uma divisão prática” com os que são menos afortunados. A comunhão cristã é uma coisa prática. Rm.15:26; II Cor. 8:4;9:13
Pleonexia – Descreve o pecado do homem que usa sua posição por vantagem própria, para aproveitar-se das pessoas a quem deve servir, o homem que vê seus vizinhos como criaturas a serem exploradas e não como filhos de Deus que devem ser servidos. I Ts.2:5; II Pe.2:3
3ª- Koinõnia – Significa “uma cooperação na obra de Cristo” Fp.1:5
Pleonexia – Em Cl.3:5 é identificado coma idolatria. É a adoração aos objetos em lugar de Deus. Quando o homem tem pleonexia no seu coração, ele perde Deus de vista num desejo louco de obter.
4ª- Koinõnia – Significa “um membro no convívio da fé”, o cristão nunca é uma unidade isolada. Ef.3:9
Pleonexia – é o pecado do mundo sem Deus; Rm.1:29. O homem virou as costas às leis de Deus
5ª- Koinõnia – Significa “viver na comunhão, na presença, no convívio, na ajuda e na orientação do Espírito”. Fp.2:1;II Cor.13:14
Pleonexia – è o desejo de ter aquilo que é proibido, esta ligada ao pecado sexual (Mc.7.22; Rm.1.29; Ef.4.19). É não refrear os apetites e desejos contrários as leis de Deus e dos homens.
Lightfoot teólogo Inglês 13 de abril, 1828 - 21 de Dezembro de 1889 (sobre Rm 1.29) define pleonexia como “a disposição que sempre está a sacrificar o próximo em lugar de si mesmo em todas as coisas.”

Bibliografia
Elienai Cabral – Mordomia Cristã, pg. 128
William Barclay - Palavras do Novo Testamento, pg.166
Biblioteca Digital Libronix
http://en.wikipedia.org/wiki/Pleonexia
http://en.wikipedia.org/wiki/Koinonia
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%ADcero
http://en.wikipedia.org/wiki/Joseph_Barber_Lightfoot

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"Lúcifer" em Isaías 14:12-17


O nome Lúcifer tem sido muitas vezes entendido como outro nome para o diabo ou Satanás. Esta identificação tem uma longa história na Igreja, que remonta a pelo menos o quarto século. Sua origem é na verdade de uma passagem do Antigo Testamento do livro de Isaías que, para alguns, fala de um ser expulso do céu por causa do orgulho. Uma vez que algumas pessoas vêem uma referência ao demônio sendo expulso do céu no Novo Testamento (Apocalipse 12:9-12; Cf Lc 10:18), eles concluíram que a passagem de Isaías se refere à mesma coisa.
A passagem (ARC): 14:12
12 Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!
13 E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono, e, no monte da congregação, me assentarei, da banda dos lados do Norte.
14 Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.
15 E, contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo.
16 Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão e dirão: É este o varão que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos?
17 Que punha o mundo como um deserto e assolava as suas cidades?

Na tradução do Rei James, versículo 12 diz:
Como caíste do céu, ó Lúcifer , filho da manhã ! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!

… O Lucifer, son of the morning!..
....O Day Star, son of Dawn… (outra tradução)
dawn sig; alvorada, amanhecer, romper o dia, raiar o dia, fig começo, início, despertar, origem.
Enquanto que morning sig; de manhã bem cedo, adj matutino.
Aqui é onde encontramos o nome de Lúcifer.
O termo Lúcifer foi popularizado em Inglês da tradução do Rei James. No entanto, o nome não vem do hebraico, ou mesmo a partir da tradução grega (Septuaginta), mas a partir do século IV dC da tradução latina deste versículo:
quomodo cecidisti de caelo lucifer qui mane oriebaris corruisti em TERRAM qui vulnerabas gentes.

No latim era um nome para Vênus, especialmente para a “estrela da manhã”. A palavra latina Lúcifer é composta por duas palavras: lux, ou sob a forma genitiva utilizada Lucis, (que significa "luz") e ferre , o que significa "suportar" ou "levar". Assim, a palavra Lúcifer significa portador da luz. A mesma palavra é usada em outros lugares da Vulgata Latina para traduzir termos em hebraico que significa "brilhante", especialmente associado com o céu.
Exemplos:
“E a tua vida mais clara se levantará do que o meio-dia; ainda que haja trevas, será como a manhã. Jó 11:17
O termo aqui usado no hebraico para manhã é בֹּקֶר(boqer) foi vertido para o latim como lúcifer.

“O teu povo se apresentará voluntariamente no dia do teu poder, com santos ornamentos; como vindo do próprio seio da alva, será o orvalho da tua mocidade.”
Outro termo hebraico שְׁחָר (shachar) está no Salmo 110:3 em que a VUL traduziu por luciferum.
O termo também ocorre no (plural luciferum) em Jó 38:32 para se referir a uma constelação astral.O termo hebraico מַזָּרוֹת (mazzarwoth) é vertido para o latim luciferum.
Ou produzir as constelações a seu tempo e guiar a Ursa com seus filhos? (ARC)
Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco ou guiar a Ursa com seus filhos? (ARA)
Outras formas da palavra são usadas de forma semelhante, para se referir à luz ou as estrelas. Isso reflete o grego, tradução Septuaginta a utilização de ἑωσφόρος (heosphoros) , "estrela da manhã" para traduzir o hebraico de Isaías 14:12.
Há algum debate sobre a origem exata da palavra original em hebraico de Isaías 14:12 הֵילֵל (heylel ). A possibilidade mais forte é que ele vem de uma raiz verbal הלל (halal) que significa "brilham" Jó 29:3, bem como "de louvar" (onde nós começamos a frase ( halelu-yah). Em qualquer caso, a forma nominal é o termo hebraico para a estrela da manhã, na maioria dos casos, o planeta Vênus. Tanto a tradução grega do século II aC, na Septuaginta (ἑωσφόρος ὁ πρωὶ ἀνατέλλων), e no quarto século dC tradução latina da Vulgata Latina (lucifer qui mane oriebaris ) dão entender que este é o significado da palavra hebraica heylel .
Lúcifer (do latim lux, lucis, "luz" e ferre, "portar, levar", ou seja, "Portador de Luz) é um nome que, devido a uma interpretação errônea do Livro de Isaías, foi freqüentemente dado a Satã, líder dos demônios ou anjos caídos na tradição judaica-cristã, ou mais especificamente tido como seu nome antes da Queda.
Em latim, o nome Lucifer, "Portador de Luz" era dado à Estrela d'Alva ou Estrela da Manhã, o planeta Vênus em suas aparições matinais. Na Vulgata, versão canônica da Bíblia para o latim ao longo da maior parte da existência da Igreja , essa palavra é usada algumas vezes como já expostos.
Em uma delas, na segunda epístola de Pedro, 1:19, traduz o grego Φωσφόρος, Phosphoros, que tem exatamente o mesmo sentido literal de "portador de luz" do latim:
Assim demos ainda maior crédito à palavra dos profetas, à qual fazeis bem em atender, como a uma lâmpada que brilha em um lugar tenebroso até que desponte o dia e a estrela da manhã (Phosphoros, Lucifer) se levante em vossos corações.
A outra vez está em Isaías, capítulo 14, como tradução do hebraico הֵילֵל (heylel ) que também significa "Estrela d'Alva", ou mais precisamente הילל בן־שׁחר, heylel ben Shahár, "Estrela d'Alva, filho da Manhã", vertido na Vulgata como Lucifer qui mane oriebaris (literalmente, "Estrela d'Alva que nascia da Manhã"). Nessa passagem, como o próprio profeta deixa claro, o nome é dado ao rei da Babilônia, cuja tirania haveria de cair:
Esta é a posição que prevaleceu durante a maior parte da história da igreja até a época da Reforma e do Iluminismo, quando começamos a fazer umas perguntas mais diretas do texto bíblico. Também ganharam mais informações em novas descobertas arqueológicas de antigas civilizações, dando-nos uma grande quantidade de informações sobre Mesopotâmia antiga e da religião babilônica.
A religião babilônica era uma religião astral, intimamente relacionada com as práticas Cananéia, embora mais focada no sol, na lua e nas estrelas e seu movimento que nos ciclos da natureza. Os babilônios eram “adorados como deuses” as manifestações dos corpos celestes. Trata-se da Babilônia que nós temos os signos do zodíaco representando constelações. Sabemos agora que os dois termos utilizados no texto hebraico de Isaías, הֵילֵל (heylel ) , estrela da manhã, e בֶּן־שָׁחַר ben Shahár estrela d'alva , foram astral divindades da Babilônia (que se reflete na maioria das traduções modernas).
Agora, se olharmos para o texto de Isaías 14 em seu contexto, e sem os pressupostos, o significado da passagem se torna mais evidente e segue um caminho radicalmente diferente.

O livro de Isaías passou os primeiros capítulos denunciando os pecados de Israel e sua incapacidade de ser povo de Deus. Houve também a expectativa de que Deus irá trabalhar em novos caminhos na vida da nação, para ajudar a recuperar a sua missão como povo de Deus. Uma dessas formas seria através de um novo rei para substituir o Acaz corrupto.
Isaías 13 começa um longo trecho do livro conhecido como "oráculos contra as nações estrangeira." Este é um formato padronizado nos profetas para universalizar responsabilidade para com Deus. Não só Israel, mas todas as nações eram responsáveis perante Deus e cairiam sob o mesmo julgamento Israel. Como é típico em outros livros proféticos (Amós, Jeremias, Ezequiel), nem todos estes oráculos provenientes do mesmo período de tempo como Isaías de Jerusalém, mas eles seguem um padrão semelhante e têm a mesma função no livro.
Isaías 13 faz parte do oráculo contra Babilônia, provavelmente de um tempo após o Exílio. Em linguagem muito floreada, poético, e muito figurativo, a Babilônia é denunciado por sua arrogância e falta de preocupação com as outras nações como ela construiu o seu império.
Aqui, o rei da Babilônia é comparado com a estrela da manhã, filho da alva, astro que os cananeus consideravam como um deus que desejava colocar-se acima dos demais deuses (v. 13). Esse deus, segundo criam os cananeus, habitava num monte localizado em um distante ponto do Norte. Com essa figura, o autor ridiculariza o orgulho e a arrogância do rei da Babilônia, insinuando que também ele deverá cair como aquele deus pagão. Cf. a passagem sobre a queda do rei de Tiro em Ez 28.11-19.
É interessante que, em 13:10, é feita menção específica da falha dos deuses da Babilônia (constelações, lua, sol) para ajudá-los quando Deus chama, em seguida, à prestação de contas.
Capítulo 14, em seguida, começa com a promessa de retorno de Israel do exílio babilônico, um tema que domina a parte central de Isaías (40-55). Parte desse retorno implicaria a queda do tirano rei da Babilônia. Nesse contexto, os versículos 12-21 são uma imagem poética de que a queda. הֵילֵל (heylel ), estrela da manhã , e בֶּן־שָׁחַר ben Shahár , (amanhecer), então, são referências aos deuses da Babilônia, que não conseguiu salvar o rei, e estão-se a ser deitado abaixo.
De fato, há provavelmente uma referência aqui para o hábito dos antigos reis do Oriente Próximo proclamando-se encarnações dos deuses, com a queda dos reis, os deuses também caíram, muitas vezes fisicamente, como as imagens que representavam eram derrubadas e destruídas.
Assim, a passagem de Isaías não liga, quer historicamente ou teologicamente, com as passagens do Novo Testamento sobre o diabo ou a Satanás. Ao ouvir a passagem do Antigo Testamento em seus próprios termos do seu próprio contexto, descobrimos que Lúcifer não é um nome do Velho Testamento para o diabo ou a Satanás. A passagem em Isaías 14:12-17 é dirigida contra a queda dos governantes babilônicos arrogante que levou Israel para o exílio.
Isaías designa הֵילֵל (heylel ), estrela da manhã , e בֶּן־שָׁחַר ben Shahár como filho de Shahár. Este, segundo um poema ugarítico, era o deus da aurora, enquanto seu irmão gêmeo, Shalim, representava o crepúsculo e ele é o irmão gêmeo e inimigo de Shahar o deus do amanhecer. Ambos eram filhos de El (também chamado Latipan e Dagon) e de Athirat (Astarte), sua parceira divina, ou sua parceira mortal, de nome não conhecido.
O pano de fundo da sua metáfora parece ser a imagem da Estrela d'Alva que surge como a mais brilhante do céu, ofuscando Júpiter e Saturno, mas em seguida é ofuscada, "expulsa" pela luz do Sol. É uma hipótese plausível, ainda que não atestada, que Isaías estivesse citando algum mito cananeu que refletisse essa idéia, narrando que הֵילֵל (heylel ), estrela da manhã , e בֶּן־שָׁחַר ben Shahár , teria desafiado os demais deuses tomando a montanha no Norte onde se reuniam, mas foi arremessado ao abismo.
E bom observar que os vers.15 (שְׁאוֹל , sh ̂eol ), traduzido aqui por inferno (latina: infernum), que significa "as profundezas" ou o "mundo inferior (dos mortos), sepultura, inferno, cova, lugar do qual não há retorno, sem louvor de Deus, e (בוֹר bowr), traduzido aqui por abismo significando cova, poço, cisterna; vers. 19,20 (‍קִּבְרְךָ qeber), traduzido aqui por túmulo, sepultura, tumba. Todas essa palavras estão relacionadas ao mundo fisico, a uma pessoa fisica, um termino permanente.
De qualquer forma, quando os judeus da diáspora fizeram a tradução pioneira do hebraico para o grego, encomendada por Ptolomeu II (287 a.C.-247 a.C.) para a Biblioteca de Alexandria e conhecida como Septuaginta, heylel ben Shahár foi traduzido como Φωσφόρος, Phosphoros ou ἑωσφόρος heosphoros, nome da divindade grega que personificava a Estrela d'Alva, chamado Lúcifer pelos romanos e que era filho de Eos. Eos (em grego, Ἠώς – Êôs, 'aurora') era a deusa grega que personificava o amanhecer a deusa da manhã, Os romanos o chamava de Aurora. Aurora era a deusa do amanhecer, equivalente à grega Eos. Aurora é a palavra latina para amanhecer; renovava-se todas as manhãs ao amanhecer e voava pelos céus anunciando a chegada da manhã.
A identificação com Satã aparece pela primeira vez na Vida de Adão e Eva e no primeiro Livro de Enoc, escritos no século I a.C. Neste, Satã ou Sataniel é descrito como tendo sido um dos arcanjos ; a tradição judaica elaborou a queda dos anjos sob a liderança de Samhazai ou Semyaz. Porque ele planejou "erigir seu trono acima das nuvens mais altas e se assemelhar a 'Meu poder' no alto", Satanás-Sataniel foi lançado abaixo, com suas hostes de anjos, e desde então ele tem voado no ar sobre o abismo.
Os autores cristãos Tertuliano (Contra Marrionem, v. 11, 17), Orígines (Ezekiel Opera, iii. 356) e outros, também identificaram Lúcifer com Satanas, que no Evangelho de Lucas (10:18) e no Apocalipse (12:7-10) também foi descrito como tendo sido "arrojado dos céus". O próprio Jerônimo, tradutor da Vulgata, pensava que essa passagem aludia a Satanas. Esta interpretação é geralmente atribuída a ele, que ao traduzir a Vulgata atribuiu Lúcifer ao anjo caído, a serpente tentadora das religiões antigas, embora antes dele esta interpretação não existisse
Várias traduções tradicionais e influentes da Bíblia, inclusive a inglesa do Rei James como já foi exposto, mantiveram o nome de "Lúcifer" em Isaías, em vez de vertê-lo da forma adequada em vernáculo, reforçando a identificação errônea. Assim, Satanas veio a ser conhecido como Lúcifer também em obras literárias como A Divina Comédia de Dante Aleghieri e O Paraíso Perdido de John Milton.
Por isso, também foi o nome dado ao anjo caído, da ordem dos Querubins (Ez 28.14). Assim, muitos nos dias de hoje, numa nova interpretação da palavra, o chamam de Diabo (caluniador, acusador), ou Satanas (cuja origem é o hebraico( שָּׂטָן ) Shatan, Adversário
Na tradução de do Padre Antonio Pereira de Figueiredo verte Isaías 14:12: "Como caíste do céu, ó Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante

Fontes de pesquisas:
99 perguntas sobre Anjos, Demônios e batalha Espiritual – B.J. Oropeza – pg.63 Ed.MC
Apócrifos e pseudo-epígrafos da Bíblia – pg. 261ss; Ed. Fonte editorial
Dicionário Grego-Português e Português-Grego 7º edição – Isidro Pereira, S.J. - Livraria Apostolado da Imprensa
Dicionário Latino-Português de 1950 – José Cretella Júnior e Geraldo de Ulhôa Cintra – Companhia Editora Nacional
http://pt.fantasia.wikia.com/wiki/L%C3%BAcifer
http://www.crivoice.org/lucifer.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lúcifer
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aurora_(mitologia)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eos
Michaelis Dicionário de Portugues-Inglês e Inglês e Português
Biblioteca Digital LIBRONIX
Programa BibleWorks


Eliel Sobrinho- conferencista


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

AS MULHERES QUE REVOLUCIONARAM UMA ÉPOCA




“As mulheres que revolucionaram uma época!”
Nm. 27.1
271 וַתִּקְרַבְנָה בְּנוֹת צְלָפְחָד בֶּן־חֵפֶר [1]
בֶּן־גִּלְעָד בֶּן־מָכִיר בֶּן־מְנַשֶּׁה לְמִשְׁפְּחֹת
מְנַשֶּׁה בֶן־יוֹסֵף וְאֵלֶּה שְׁמוֹת בְּנֹתָיו מַחְלָה[2]
נֹעָה וְחָגְלָה וּמִלְכָּה וְתִרְצָה׃
(Sturttgartensia Hebraica)

קרב qarab- vieram מנשה M ̂enashsheh- Manassés
בת bath- filha משפחה mishpachah- Familia
צלפחד Ts ̂elophchad- Zelofeade יוסף Yowceph- José
בן bem- Filho שם shem- nome
חפר Chepher- Héfer מחלה Machlah- Macla
גלעד Gil ̀ad- Gileade נעה No ̀ah- Noa
מכיר Makiyr- Maquir חגלה Choglah- Hogla
מלכה Milkah- Milca תרצה Tirtsah- Tirza
27
A lei acerca das heranças
1 E chegaram as filhas de Zelofeade, filho de Héfer, filho de Gileade, filho de Maquir, filho de Manassés, entre as famílias de Manassés, filho de José (e estes são os nomes de suas filhas: Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza); (Almeida Revista e Corrigida)
a 27.1-11 Este incidente resulta no fato de se modificar a lei que não permitia a uma mulher herdar uma propriedade. Ver as condições adicionais acerca disso colocadas no cap. 36 (36.1-13, n.).
No A.T., bem na época das peregrinações no deserto, no tempo do grande legislador e profeta Moisés, no tempo do segundo censo da nação requerido por Deus, 1406 a.C., houve um acontecimento, uma revolução, uma alteração na legislação de Israel em que está marcada até os dias de hoje.
Na lei hebraica-judaica antiga, só se era concedido apenas aos filhos o direito a herança, ou seja, na lei de Israel prescrevia que a herança do pai era dos filhos homens, na hierarquia dos primogênitos, as filhas mulheres não tinham direito a herança.
T^selophchad = Primogênito – do Lat. Primogenitus = filho mais velho. Um massanita da tribo de Manasses, filho de Héfer e Neto de Gileade, que saiu do Egito com Moisés e que morreu no deserto deixando as suas cinco filhas.
T^selophchad falece sem deixar herdeiro filho homem, e sim filhas. Estas por sua vez mesmo sabendo da lei regida em Israel sobre herdades e heranças foram reclamar o direito de sua herança. Dizendo elas: “Porque se tiraria o nome de nosso pai do meio de sua família, por quanto não teve filhos? Dá-nos possessão entre os irmãos de nosso pai.”
E existem muitas questões sobre a morte de Zelofeade, segundo o Rabi Akiba, aquele homem que foi apanhava lenha no dia de sábado e que foi condenado à morte (Nm 15:32-36); mas também segundo o Rabi Simão, ele era um dos que temiam subir ao cume do monte, mas que caíram mortos pelos amalequitas e os cananeus. (Nm 14:44-45).
Nas traduções atualizadas e corrigidas, dizem que ele morreu de morte natural no seu próprio pecado. Ele fazia parte da primeira geração do êxodo. Conseqüentemente um dos filhos de Israel que murmurou e agiu de incredulidade quando Moisés ordenou grupos para espiar a Terra Prometida (Nm 13:28,31 ao 33). Que por causa da sedição do povo, houve castigo dado por Deus.
Deus disse a Moisés para que se mudasse o percurso o rumo ao deserto, pelo caminho do Mar Vermelho para que neste deserto caíssem os seus cadáveres (Nm 14:12,25,27,35b).

(Como reclamar por um direito, se pela própria legislação reconhecia a herança somente para os homens?) Dt 21:15-17
As filhas de Zelofeade tinham previamente levado o caso para todos tribunais inferiores, ou seja, elas se apresentaram primeiro aos capitães de dezenas,os quais se recusaram a resolver o caso, depois para os de capitães de cinqüenta e depois dos de centenas e todos se recusaram a falar, empurrando para uma autoridade superior à deles, porém todas as autoridades não poderiam ajudar as filhas de Zelofeade, até que chegaram a Moisés.
Moisés com um profundo conhecimento dos sentimentos humanos, não queria ferir a sensibilidade dos capitães consultados, respondeu às filhas de T^selophechad: “eu também me recuso pronunciar-me a respeito; existe um juiz mais eminente do que eu.”
E levou Moisés e Eleazar o sacerdote a causa delas perante o Eterno:
O sustento a vestimenta, calçar, alimento, honra, a sobrevivência familiar vinha de seu pai, herdeiro direto de Manasses. Agora por causa da lei prescrita, cessaria a sua descendência. O caso relativo à distribuição das terras, às herdades de seu pai.
E pela lei se exigia que a propriedade fundiária permanecesse na mesma tribo e na mesma família (Lv 25:10- na lei do Levirato)
As viúvas e órfãs naquele tempo enfrentavam sérias dificuldades. No caso de não terem parentes do sexo masculino para cuidar delas, passavam a depender da caridade e da bondade dos outro.
Sem dinheiro, sem dote, era improvável encontrar um marido que cuidasse delas e muitas morriam de fome.
As filhas de Zelofeade ficaram sem nada e, contudo outra preocupação maior era que o nome do pai delas não tivesse continuidade. Havia o argumento de direito financeiro (herança) e o argumento pelo o direito moral e familiar na continuidade da descendência, como toda família em Israel.
O pedido delas era nada mais nada menos que se alterasse a lei.

Na versão original hebraica Sturttgartensia, temos a versão dos nomes, e que identifica o estado dessas mulheres.

E Machlah (Macla) = “doença” – a 1ª filha e a mais velha de Zelofeade. Machlah procedente de uma raiz primitiva chalah = ser ou tornar-se fraco, estar ou tornar-se doente, estar ou tornar-se aflito ou triste. (Doença do Lat. Dolentia, de dolere = sentir dor, sofrer, Falta de saúde, indisposta.).
Aflição: (Do Lat. Afflictione) = padecimento físico, tormento, tristeza pungente [doloroza]; desassossego, indisposição, inquietação [do lat. Inquietatio, -onis, - falta de sossego]. (Michaelis) // Estado de animo perturbado por causa do que o atormenta; tribulação. (Priberam)
A palavra que acompanha a inquietação é sobrevindo= coisa que sobrevém e altera o andamento de algo, ou que assusta ou inquieta.
E a outra palavra que acompanha a inquietação é a preocupação= estado de espírito ocupado por uma idéia fixa a ponto de não prestar a atenção em mais nada.

Triste: [Tristeza]- (Do Lat. Tristitia) = falta de alegria, melancolia, abatimento, aspecto de quem revela aflição. (Michaelis)
Tristeza: aflição, angustia inquietação, melancolia.
Melancolia: tristeza profunda e duradoura, hipocondria.
Melancolia: (Do gr. Melankhólikós, de melanos – negro, sombrio, trite, funesto + chole – bílis, fel, veneno – pelo Lat. Melancholia.)
-Estado de depressão, de tristeza vaga, de desgosto da vida, propensão habitual ao pessimismo. –Característica dominante de qualquer coisa que inspira tristeza. Estado de depressão intensa vivenciada através de um sentimento de dor moral e caracterizada por inibição psicomotora e por idéias de suicídio.
Melancólico: (Do gr. Melankholikós, pelo Lat, Melancholicus.)
-Que experimenta uma tristeza vaga: melancolia, ela se lembra dos belos dias vividos.

Tirza: Tirtsah = “favorável’, procedente de uma raiz primitiva ratsah – estar contente com, aceitar favoravelmente.
Favorável: (do Lat. Favorabilis, -e) – que ajuda, favorece, que é benéfico = conveniente, oportuno, que é a favor de; que concorda com = apoiante, defensor. ( Dic. Priberam)

Hogla: Choglah = “perdiz” (3ª filha de Zelofeade), perdiz no popular = perda ou prejuízo // e na gíria = condições insuficientes para cobrir despesas.

Milca: Milkah = “rainha”, procedente de uma raiz primitiva malak = ser ou tornar-se rei ou rainha, reinar.
Rainha: primeira ou mais destacada entre as da sua classe ou área. // Fig. A primeira, a mais bela; que é considerada a principal entre outras do seu gênero (modelo, maneira, qualidade, força, estilo.)

Noa; No’ah = movimento, procedente de uma raiz primitiva Nuwa’ = estremecer, cambalear, agitar, vacilar.
Movimento: (Do Lat. Movimentu) – impulso interior [dic. Michaelis] // [dic.Priberam]
Agitação, revolta.
Mover – conjugar (Lat. Movo, ere; pôr-se em movimento, agitar-se) – fig. Provocar ou ter determinada emoção = abalar, comover.
Agitação = derivação fem. Sing. De agitar; fig. Inquietação, alvoroço.
Estremecer: [Michaelis – estremecer de medo]; // [Priberam – conjugar: fazer tremer, abalar, fig. Assustar, tremer, assustar-se.]
Cambalear: [Michaelis] – caminhar sem firmeza.
Cambalear: [Priberam] – não andar direito (como bêbados); dar passos incertos como quem vai cair.
Palavras relacionadas com cambalear:
Vacilar = não estar firme, cambalear, enfraquecer, afrouxar, oscilar, tremer.
Traspés = passos falsos; traspészava.
Vacilar: [Michaelis] – (Do Lat. Vacillare) – balancear.
Vacilar:[Priberam] – não estar firme, enfraquecer, fig. hesitar, incerto.
Palavras relacionadas com vacilar:
Hesitar: ter falta de decisão, demonstrar receio ou falta de segurança.
Claudicar: (do Lat. Claudicare) – coxear, cometer falta, fraquejar intelectualmente, ter imperfeição, faltar um tanto com os seus deveres.
Trepidar: tremer com medo, ter medo.
Medo: (Do Lat. Metus) – Sentimento de inquietação, de apreensão em face de um perigo real ou imaginário, apreensão, receio, temor, sobressalto.
Medroso: Quem ou aquele que tem medo, pessoa a que falta energia, ou resolução, receoso, temeroso; tímido, acanhado. Fig. Pouco nítido, hesitante, dúbio, fraco.

E da tribo de Manasses da qual elas eram descendentes diretas – M^enashsheh = “levando a esquecer, que se esquece”.

Machalah tornou-se aflita e triste, a situação a levava a ficar assim e como não ceder a essa situação? Como não se entristecer/ E em alguns casos, ficar doente? Do qual deriva o nome dela?!!!... Como não sofre? Como não ficar indisposta?
Tirtsah : estar contente com o que? Aceitar favoravelmente a situação?
No’ah estava agitada e estremecida, e com a história de seu pai. O pai que era a estrutura da família ficou cambaleante. E como não ficar?
Choglah = Perdiz, que sofreu a perda de seu pai, e agora sofreria com as suas irmãs mais perdas, de não ser a continuação da descendência de seu pai e de sua família, de não serem as herdeiras, e pior perderem o sustento e passarem aderem vistas como uma coitada largada a morrer a mingua? Ela não poderia cobrir as despezas de nada por que não tinha condições de nada...
Milkah: rainha = ser ou tornar-se rainha, reinar. Rainha do que? Da pobreza? E reinar o que? Que reino é esse?

Dá-nos:
נתן nathan - 1) dar, pôr, estabelecer, conceder, garantir, permitir, atribuir, fixar.
Possessão:
אחזה ’achuzzah- possessão, propriedade, terra, possessão por herança; procedente do particípio passivo de אחז ’achaz- uma raiz primitiva; tomar posse; apoderar-se de.
Moisés é o líder maior o representante direto de Deus. Essas mulheres se mostram corajosas e petulantes diante de uma sociedade em que elas (mulheres) não tinham tanto valor.
Moisés sabe que essa prescrição (da lei) tinha sido redigida pelo próprio Deus, e só Ele podia revogar ou abrir uma emenda na lei. Moisés não interfere na lei pelo contrario, ele se mostra mediador dessa situação.
As historias dessas mulheres representa para muitas mulheres, como numa sociedade como na nossa, que é se podem alcançar seus objetivos e reivindicar seus direitos sem ferir ninguém e dentro dos padrões estabelecido pela lei – principalmente a lei divina.

sábado, 27 de novembro de 2010

QUANDO UM ESPINHO AGRADA À DEUS parte 2


“Quatro Razões Que Deus pôs um Espinho na Carne de Paulo”
Há quatro razões existentes e significativa têm como objetivo e propósitos na vida de cada crente sincero, ainda que cause aflições (θλιψις thlipsis) no grego clássico significa pressão, opressão derivado de (θλιβω thlibo) que tem sentido geral de afligir, pressionar, esmagar, apertar, metáf. aborrecer, afligir, angustiar
1ª) Razão: “orgulho”
O vr. 7 diz: “..para que me não exaltasse pelas excelências das revelações...”. O texto grego diz καὶ τῇ ὑπερβολῇ τῶν ἀποκαλύψεων ou seja, extraordinária grandeza, excesso, superabundância.
υπεραιρομαι huperairomai esta na voz média: levantar ou construir sobre algo, levantar-se, ser exaltado, ser arrogante,conduzir-se arrogantemente, comportar-se insolentemente perante
υπερ huper , preposição primária; em benefício de, para a segurança de,acima, além, mais que, mais, além, acima.
αιρω airo
uma raíz primária; TDNT - 1:185,28; levantar, elevar, erguer , levantar do chão, pegar: pedras ,erguer, elevar, levantar: a mão , içar: um peixe,tomar sobre si e carregar o que foi levantado, levar, levar embora o que foi levantado, levar ,mover de seu lugar , cortar ou afastar o que está ligado a algo ,remover ,levar, entusiasmar-se, ficar exaltado , apropriar-se do que é tomado ,afastar de alguém o que é dele ou que está confiado a ele, levar pela força ,levar e utilizar para alguma finalidade , tirar de entre os vivos, seja pela morte natural ou pela violência.
A soberba é um princípio Satânico. O pecado não começou com um ato exterior, mas com uma decisão interior no coração. Cinco vezes Satanás disse em seu coração: “Eu subirei..., [eu] exaltarei..., me assentarei..., [eu] subirei..., [eu] serei...” Is14. 13. Essas afirmações mostram a essência do pecado; a reivindicação do direito da criatura na autodeterminação, independência de Deus, ou autonomia pessoal.
O primeiro dos pecados mortais é o orgulho. Lemos em Provérbios, “A soberba precede a destruição, e à altivez do espírito precede queda” (Prov. 16.18). Todo pecado é egoísmo, o orgulho é a exaltação do ego, o qual se delicia com o pensamento de ser superior a todos os semelhantes. O mesmo livro de Provérbios “Todo homem arrogante é abominação ao Senhor.” (Prov. 16.5). E ainda no mesmo livro de Provérbios 29.23, lemos “A soberba do homem se abaterá; mas o humilde de espírito obterá honra.”.
O orgulho que Deus abomina não é o respeito ou o legitimo sentimento de dignidade pessoal. É o amor próprio, soberbo e indesejável, desproporcional, além do valor real que o individuo tem. Deus disse, em Salmos 101.5: “Aquele que tem olhar altivo e coração, não o tolerarei.” Deus não suporta, não admite a soberba. Ele a odeia!
O orgulho pode tomar várias formas, emanando, porém, todas elas da soberba do coração humano. Alguns são altivos no olhar, no trajar; outros, em sua vida social; ainda outros se orgulham de sua raça e outros mais nos seus negócios. Noutras palavras, o orgulho pode ser espiritual, intelectual, material e social. O mais repugnante desses quatro é o espiritual. Foi esse que levou Lúcifer, o Diabo, a queda.
A soberba espiritual leva a pessoa a confiar mais em seus méritos e virtudes próprias do que na graça de Deus. O soberbo é presunçoso, satisfeito consigo mesmo e cheio de vaidade. Deus abomina o orgulho espiritual pelo fato de o orgulho pensar ser bom e justo aos seus próprios olhos. É como a parábola do fariseu e do publicano em que o fariseu presunçoso disse: Graças te dou, ó Deus, porque não sou como os demais homens. Lc. 18.11
São pessoas cheias de si, orgulhosas e farisaicas, gloriam em sua justiça própria, e acham que são melhores que seus semelhantes. Tiago 4.6: “Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graças aos humildes.”.
Deve ficar grafado em nossos corações e mentes o quanto Deus aborrece o orgulho. O orgulho em nossos corações faz Deus rejeitar nossas orações e reter sua presença em graça para conosco. O exaltado em si mesmo, busca a honra e estima dos outros a fim de satisfazer o seu orgulho. “Provérbio 27.2 nos adverte: Louve-te o estranho, e não a tua boca, o estrangeiro, e não os teus lábios.” Parafraseando este versículo: “Não faça elogios a si mesmo; deixe isso por conta de outras pessoas”.
A soberba significa mostrar-se a si mesmo acima dos outros, sempre é usado no Novo Testamento no mau sentido de “arrogante, desdenhoso, orgulhoso, altivo, soberbo”. Rm. 1.30, Tg.4.6, IPe.5.5
Como vimos no inicio, as variam traduções para espinho, espinheiro, usadas tanto no sentido literal como figuras de linguagem. Mas duas coisas nos chamam a atenção Nm33. 55 e Js23.13. Nestes dois casos a palavra hebraica Tseninim usada no plural eram personalidades.
Isto nos faz entender que o espinho que Paulo se refere era um “mensageiro” de Satanás; ou conforme outras traduções, “anjo” de Satanás, que se refere também a uma personalidade. A função desse mensageiro ou anjo (αγγελος aggelos) um mensageiro, embaixador, alguém que é enviado, um anjo, um mensageiro de Deus, para que Paulo não se exaltasse pelas suas excelências das revelações.
O espinho na carne de Paulo foi para preveni-lo do pecado de orgulho. Veja a oração do salmista: “Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim; então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão.” Sl. 19.13
2ª ) Razão: “humildade”
O vr. 8 9 “... Cerca do quais três vezes orei ao Senhor para que desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade pois me gloriarei nas minhas fraquezas para que em mim habite o poder de Cristo.
Em 2ªCo. 12; como em outras ocasiões, Paulo teve que se defender contra certas acusações falsas. Isso surgiu pelo fato de ter recebido uma revelação da verdade divina maior do que qualquer outra tinha recebido até então. Deus revelou coisas a respeito de si mesmo, algumas quais ele foi proibido de revelar, as outras ele deveria comunicar através das epistolas.
Paulo passa então, justificar sua asserção: “foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não são licito ao homem referir” 2ªCo. 12.4.
A palavra grega para inefável, nesta passagem é αρρητος arrhetos - inexprimível, o que não pode ser expressado (por causa de sua santidade) aparece só uma vez em todo Novo Testamento – significa sagrado de mais para ser falado. Era de uso comum nas religiões. Que tais palavras não era licita para falar para homens de sua geração é ir alem do que está escrito.
O espinho de Paulo foi à maneira que Deus usou para mostrar sua suficiência. O mundo esta infectado de caráter autopromocional, grandes nomes que recebe preeminência nos meios de comunicação e o perigo é o que o povo de Deus poderá presumir que as maiores bênçãos advenha dos maiores nomes e revelações.
A humildade é uma virtude que deve ser cultivada. Esta palavra no Novo Testamento ταπεινος tapeinos significa primeiramente “abaixado”; “trazido para baixo”; “trazer para terra”,humilde, humildemente, que do latim “húmus” – terra, conscientizar das nossas fraquezas e das nossas dependências, nos fazer saber que somos pó, terra, em outras palavras, não somos nada. O texto diz: “Deus resiste aos soberbos, dá, porem, graça aos humildes”.
Jesus no sermão do monte contradisse todos os juizes e todas as expectativas nacionalistas a cerca do reino de Deus, Mt5. 3; “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” Jesus mostra a verdadeira felicidade é concedida ao pobre, não ao rico, ao frágil, não aos poderosos, aos humildes e não aos soberbos. Jesus palmilhou o caminho da humildade. O fundamento desta promessa, acham-se no modo de vida do próprio Jesus, conforme Ele o interpretou em Mt. 11.28,29. Ele é “manso” e “humilde de coração” (ὅτι πραΰς εἰμι καὶταπειν ὸς τῇ καρδίᾳ). Os dois pensamentos ficam em paralelo e demonstram que Jesus era submisso diante de Deus, dependia completamente Dele, e se dedicava a Ele, enquanto ao mesmo tempo, era humilde diante dos homens. Paulo na descrição da Obra de Cristo, disse: “que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus”. Mas aniquilou-se a si mesmo, tornando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte e morte de cruz.
3ª) Razão: “dependência”
Aquela situação que não sabemos o que era, produzia em Paulo uma dependência de Deus, constante e consciente.
Paulo sabia que não podia realizar coisa alguma sozinho, tinha mesmo que depender de Deus. Descobriu que seu sofrimento o resguardou do orgulho, deixo-o mais humilde e mostrou-se que Deus era suficiente, fazendo-o dependente Dele.
O texto é bem claro o anjo, veio: “para me esbofetear” Vr. 7. A palavra esbofetear no gr. κολαφιζω kolaphizo, significa dar bofetada após bofetada, dou punhadas, esbofeteio, bater ou dar em alguém soco com o punho fechado, maltratar, tratar com violência e ofensa. De um derivado da raiz grega κολαζω kolazo:controlar, reprimir, restringir, punir, castigar, corrigir,fazer ser punido. Paulo refere-se, figuradamente, a alguma experiência muito dolorosa, que não especifica. Pensa-se em alguma enfermidade (cf. Gl 4.13-14), porém pode ter-se tratado de outro tipo de sofrimento.
É usado em Mc14. 65 quando alguns começaram a cuspir em Jesus, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar punhadas (κολαφιζω kolaphizo – esmurrar), e a dizer-lhe: Profetiza. E os servidores davam-lhe “bofetadas”. Aqui onde foi grifado, é outra palavra usada tendo o mesmo sentido; ραπισμα rhapisma; significando pancada com vara ou cajado, soco com a mão, bofetada ou tapa.
Este meio e forma desumana, a nosso ver, trouxe para o apostolo como já foi exposto, mais humildade, menos orgulho e viver totalmente na dependência de Deus. Alguma situação Deus permitiu que algumas pessoas assim o passassem por sua vontade preceptivo, aquela que ele lança preceitos e cabe o homem executar ou não. Ele estabelece os preceitos e espera de nós uma atitude coerente.
A Israel, Deus “tentou” no deserto, Dt8.2; à Abraão da mesma forma, o provou, נסה nacah (nassaion) pôs à prova, testar, tentar. O sentido predominante, provar uma pessoa. Tem o mesmo sentido no Novo Testamento πειρασμος (peirasmos),intentar, esforçar-se, examinar, experimentar, testar. Esta palavra é proveniente da raiz per*, que significa “passar através”; “avançar”; “atravessar”; “dirigir através de”. É de peirazo que provém o termo latino “peritus”, que no português temos a palavra “perito”, aquele que tem perícia, habilidade, destreza, sabe por experiência.
Com o objetivo de fortalecer a nossa fé, Deus nos submete á teste, a fim de que por meio dos desafios de nossa fé, possamos ir percebendo a nossa dependência e confiando mais e mais no seu poder.
4ª) Razão: “graça”
Termo esse que aparece 155 vezes, principalmente, nas epistola de Paulo 100 vezes.
O termo grego para graça em o Novo Testamento é χαρις (charis) usado para graciosidade, amabilidade, favor. Graça é o favor que se dispensa ou se recebe; favor que não merecemos, mas Deus livremente nos concede bênçãos imerecidas, especialmente com referencia ao favor divino.
Existem algumas significações da graça:
Graça – como prova do propósito divino de redenção e revelação: “Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor”Gn6. 8. Aqui no hebraico graça, חסד checed
 demonstrar favor, afeição, comiseração.
 Graça–como satisfação: “justificado pela graça, gratuitamente,”Tt3. 7;Rm3.24
 Graça – como palavra do evangelho: “o evangelho da graça de Deus”, At14. 3;Tt2.11
 Graça – como doutrina do evangelho: “é bom que o coração se fortifique com a graça,” Hb13. 9;IIPe3.18
 Graça – como salvação e gloria eterna: “da graça que nos foi dada”, IIPe1.10,13;Ap.21.16,22.17
 Graça – como força e santidade: “a min há graça te basta” e “pela graça de Deus sou o que sou e sua graça para comigo não foi em vão, mas a graça a Deus temos vivido.”.
Embora o espinho tenha causado grande consternação em Paulo, e, em ultima instancia, serviu para um bom propósito, revelar a graça de Deus. Entretanto, a graça de Deus também se manifesta no sofrimento de seus filhos.
A graça, por sua vez, é quando Deus dá ao ser humano o que ele não merece. Ninguém merece perdão, salvação, vida eterna, comunhão com Deus e paz. O Senhor, porém, em sua graça pode lhe dar tudo isso, pois é favor imerecido.
Philip Yancey diz no seu livro Maravilhosa graça, que, “graça significa que não há nada que possamos fazer para Deus nos amar mais, nenhuma quantidade de renuncia, nenhuma quantidade de conhecimento recebido em seminários e faculdades de teologia, nenhuma revelação ou quaisquer outras coisas, Deus já nos ama tanto quanto é possível um Deus infinito nos amar.”.
Aos Romanos 6.23, Paulo diz que: “o salário do pecado é a morte.” A palavra usada para “salário”, οψωνιον (opsonion) significando literalmente “dinheiro para comprar carne cozida” e é palavra usada para o “pagamento do soldado.” Isto quer dizer que recebemos o pagamento por aquilo que fizemos, teríamos recebido a morte.
Mas “o dom gratuito de Deus é a vida eterna”. O “dom” ou χαρισμα charisma é uma palavra militar. Quando um imperador subia ao trono, dava as tropas um “donatinum” ou charisma, que era uma livre oferta em dinheiro, um presente. Não obtiveram em troca de serviços, conforme era o caso da sua opsonia; receberam-no imerecidamente pela generosidade do imperador.
Assim, tudo quanto merecemos nossa opsonia, seria a morte. Tudo quanto possuímos é o charisma, o dom gratuito de Deus.
Há três aspectos nesta afirmação:
 Provações gerais, que acontecem apenas porque vivemos num mundo pecaminoso. Rm8. 35-39 “Quem nos separará do amor de Cristo”? A tribulação, ou a angustia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor a ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestade, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!
Há uma verdade irrevogável e imutável que Jesus falou acerca do nosso sofrimento neste mundo, que muitos teólogos da confissão positiva, ou seja, a teologia da prosperidade quer ignorar, querendo satisfazer o ego de muita gente afirmando: que estaríamos isentos de problemas. João 16.33 “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflição, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” Mateus 5.11,12 “bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa”. “Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” A nossa recompensa não está naquilo que temos ou vamos adquirir aqui, a nossa recompensa está naquilo que somos crentes fiéis e sinceros:
 Aflições que Deus permite que aconteça em nossas vidas. IICo12. 7; Jó1. Ambos os casos foram permissão de Deus, as quais Deus tinha objetivos segundo a Sua vontade. Boulomai (βουλομαι) é a vontade peremptória adj (lat peremptoriu) Que perime,decisivo, terminante, ou seja, à vontade decretiva. O direito que Deus reserva a si mesmo decidir como quer, não obstante às muitas insistências. Não há nada que possa mudar uma decisão decretiva de Deus.
O apostolo Paulo declarou ter um “espinho na carne, o qual ele mesmo o chama de um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de me não exaltar”. Por causa daquele problema, Paulo disse que orou três vezes, sem nunca obter de Deus a resposta desejada. Deus não estava interessado em tirar-lhe o “tal” espinho na carne, porque tinha um bom propósito para com ele: não permitir que se exaltasse. Deus não queria perder aquele homem. Enquanto ele permanecesse humilde, seria útil para o Senhor.


 Aflições de forma disciplinar que vem diretamente de Deus. Hb. 12.5,6; “E já vos esqueceste da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não despreze a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido; Porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho.” O cristão deve entender que os sofrimentos que estão suportando como resultado de sua vida cristã signifique que Deus não esteja preocupado com seu bem-estar. Correção descreve a disciplina corretiva usada em treinar um filho. Tal tratamento não é administrado de maneira severa, mas com amor. Em vez de desanimar, devemos encarar as lutas e perseguições como prova (peirasmon), Tiago 1.12 nos fala: Bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, o qual o senhor tem prometido aos que o amam. Devemos encarar estas situações, levando-nos à maturidade espiritual.

Conclusão
Creio que cada cristão sincero tem um espinho. É certo que causa em cada situação, uma situação desagradável, impedindo certa realização e até mesmo impossibilitando nosso avanço em algumas áreas. Ficamos como o apostolo a orar, mas, a única diferença, é, se não prestamos atenção nas respostas de Deus ou não queremos ouvi-la “a minha graça de basta”. Logicamente esse espinho redundara em benefícios, mesmo sendo desagradável e inconveniente.
A intenção de Deus, creio, em relação ao seu povo é o mesmo do apostolo Paulo evitar gloriar-se a si mesmo ao invés de gloriar-se no Senhor, que concede tal privilégio.
As formas usadas por Deus, quem sabe causará reprovação, mas, entretanto, o Senhor que é conhecedor dos mais profundos sentimentos do homem fará que conheçamos a Sua vontade. Deus nos conhece perfeitamente, de modo muito além do conhecimento que temos de nós mesmos. Todas as nossas ações, todos os nossos empreendimentos, e nossas maneiras de lidarmos com tudo isso, até mesmo os nossos pensamentos antes de termos conscientemente na cabeça. O conhecimento do Todo Poderoso fica além da minha capacidade humana. Não há maneira de esconder do Senhor, não se trata de uma doutrina abstrata, mas da onipresença e onipotência divina. (Sl. 139.1ss.) Lidar com meios e formas de Deus agir em certas situações é complexo, mas o final das coisas é melhor do que o seu principio. (Ecl. 7.8).
Não importa a origem do espinho. Uma coisa é certa, ele tem um propósito definido no plano de Deus.


Bibliografia
Bíblia de Estudo Pentecostal – pg.1786
Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, pg.1491.
Bíblia Anotada – pg.1469
Bíblia Teb – pg.2245
Bíblia de Estudo Plenitude, pg.1209, 1210,1294.
Billy Graham – Como livrar-se dos sete pecados mortais, pg.9-11.
Chave Lingüística do Novo Testamento grego, pg.316.
Curso de Apologética – fase 2 – pg.27,28
Decepcionado com a graça – Paulo Romeiro, pg.167.
Dicionário Hebraico – Português e Aramaico – Português, Sinodal/vozes.
Dicionário Vini – pg.414, 461,462 – CPAD.
Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento- pg.907
Dicionário do grego do Novo Testamento Carlos Rusconi - Paulus
Dicionário do Novo Testamento grego – W.C.Taylor
Doutrina das ultimas coisas – Severino Pedro, pg.171,174.
Hermenêutica Bíblica – Antonieto G. Sobrinho – pg.28,89.
J.Dwight Pentecost – Problemas do Homem Resposta de Deus, pg.28-31.
John Stott – O Sermão do Monte, pg.28.
João Bernardes da Silva – Espinho na carne – RTM, Editora S/C.
Triunfando na Batalha – Thomas Ice e Robert Dean, Jr. Pg.46
Walter Brunelli – A Vontade de Deus e Você, pg.28.
Willian Barclay – Palavras do Novo Testamento, pg.41.

QUANDO UM ESPINHO AGRADA À DEUS parte 1


Concepções sobre o espinho de Paulo
No decorrer da história da igreja, desde os primeiros séculos, tem-se sugerido várias opiniões e interpretações acerca do “espinho na carne” do apostolo Paulo, desde a mais ilustre como as mais bizarras explicações.
Tertuliano de Cartago, província romana da África (155-222 D.C), o mais vigoroso e intransigente dos primeiros apologista cristão – atribuiu o “espinho” de Paulo a fortes dores de cabeça.
João Crisostomos que viveu no terceiro século da era cristã (347-407 D.C) em Antioquia da Síria e Jerônimo de Dalmácia (342-420 D.C) – acreditavam que o “espinho” que maltratava o apóstolo eram também dores de cabeça.
Martinho Lutero de Eisleben, Alemanha (1483) o reformador, pensava que o “espinho” na carne do apóstolo era por causa das constantes perseguições, especialmente dos judeus que Paulo tanto amava. “Porque eu mesmo poderia desejar ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne;” Rm 9:3.
Joseph B. Lightfoot (1828-1889) de Liverpool na Inglaterra, um dos revisores da Bíblia King James Version, uns dos melhores eruditos do século XIX, referia-se ao “espinho” do apostolo Paulo a uma oftalmia, que possivelmente, deveria ser conseqüência do próprio incidente do Caminho de Damasco. Lightfoot explica também a resposta indignada que Paulo deu a sumo sacerdote, “Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que o ferissem na boca. Então, Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada! Tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei e, contra a lei, me mandas ferir? E os que ali estavam disseram: Injurias o sumo sacerdote de Deus? E Paulo disse: Não sabia irmãos, que era o sumo sacerdote; porque esta escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo.” At23.2-5.
Posteriormente muitos se têm assim interpretado o texto. Mais quando Paulo escreve aos Gl. 6.11- “vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão”. A palavra “letra” empregada aqui é traduzida da palavra grega γράμμασιν (grammasin) que significa letras, escrituras, carta, etc. usada em 2Co3. 6 “...a letra mata, e o Espírito vivica” τὸ γὰρ γράμμα ἀποκτέννει, τὸ δὲ πνεῦμα ζῳοποιεῖ. Black, M., Martini, C. M., Metzger, B. M., & Wikgren, A. 1993, c1979. The Greek New Testament (electronic ed. of the 4th ed.) . United Bible Societies: Federal Republic of Germany
Já a palavra “grande” gr.πηλίκοις(pelikois) usada primeiramente a uma pergunta direta, “quão grande? quando? indicando quantidade, e não necessariamente o tamanho como se pensa.Possivelmente, ele deve ter “escrito” com letras grandes com a própria mão, o que também não é improvável, que signifique que nesse momento ele pegou a pena do amanuense e finalizou a epístola. Pois na linguagem grega o escritor de uma carta se colocava ao lado do leitor e falava dela como tendo sido escrita. Possivelmente Paulo está se referindo que a saudação final é escrita por suas próprias mãos.
Epaminondas M. do Amaral comentando o texto bíblico, indicou algumas razões sobre as possibilidades que a expressão “espinho na carne” não indicaria necessariamente sofrimento físico, mas sim, sofrimento morais.
Para os Teólogos gregos, o “espinho” referido no texto, eram os inimigos de Paulo, 2Tm. 4.14 – Alexandre, o latroeiro, que causava a Paulo muitos males.
Já os Teólogos latinos viam atrás da metáfora paulina as tentações afeitas ao sexo forte, exercendo na consciência do apostolo.
Outros entendiam que nada mais era do que o gênio intempestivo de Paulo, que o feria fazendo sofrer. “Quem sabe essa observação é por causa do temperamento colérico de Paulo, que geralmente essas pessoas são auto-suficiente, impetuoso, genioso e tem uma tendência á aspereza e até mesmo á crueldade. Ninguém é tão mordaz e sarcástico quanto o colérico. Essa seria uma séria deficiência emocional do colérico”.
E tinha aquele que atribui o “espinho” a uma epilepsia, outro a febre malária, que Paulo provavelmente teria contraído nas regiões insalubres da província romana da Ásia.
Alas reformistas da igreja norte-americana sustentam de forma aberrante que Paulo poderia ser homossexual.
Inúmera tese no mundo foi levantada para tentar entender o que há por detrás dessa frase “... um espinho na carne”, alguns chegam a defender que seria alguma culpa sexual que Paulo carregava.
A Bíblia diz que: “As coisas encobertas são para o Senhor; nosso Deus; porem as reveladas é para nós e para nossos filhos, para sempre, para cumprimos todas as palavras desta lei” Dt28. 29.
Definindo o termo Espinho
A onze palavras hebraicas e duas gregas que estão envolvidas neste verbete, a saber:
a) אטת ’atad – espinheiro, palavra hebraica que figura por quatro vezes: Sl.58.9 – “Antes que os espinhos cheguem a aquecer as vossas panelas, serão arrebatadas, tanto os verdes como os que estão ardendo, como por um redemoinho.” Neste caso aqui, o “espinheiro” ou “lenha” como aparecem em algumas versões, eram pequenos galhos de espinheiros que eram usados como combustível para obter um calor mais rápido. Sl. 118.12; Ecl.7.6. Já em Jz.914,15 esse pequeno arbusto e ramos afiados é a representatividade de Abimeleque , que aspirava ao exercício do poder sobre os outros.
b) חרק chedeq - espinho – termo hebraico que aparece por duas vezes: Mq. 7.4. Pv.15.19 “O caminho do preguiçoso é como a sebe de espinhos, mas a vereda dos retos está bem igualada.” Neste caso de provérbios o caminho do preguiçoso é cheio de espinho. Sobretudo porque era demasiadamente preguiçoso para retirá-lo (v.24.30,31; Os. 2.6).
c) חוח chowach - espinho,moita – palavra hebraica utilizada por doze vezes: 2Cr33.11;Jó41.2;Pv26.9;Ct2.2 etc. Em 1Sm13.6 “Vendo, pois, os homens de Israel que estavam em angustia(porque o povo estava apertado), o povo se escondeu pelas cavernas , e pelos espinhais, e pelos penhascos , e pelas fortificações, e pelas covas,...” (nesta passagem,algumas versões traduz por “buraco”). Os homens de Israel estavam em apuros, devido à falta de armas (19-22). O exercito filisteus estava bem equipado, embora numericamente inferior, então o povo de Israel teve que sua de estratégia se escondendo pelos espinheiros ou buracos.
d) נעצוץ na ̀atsuwts - espinho – palavra hebraica usada por duas vezes: Is7.19;55.12,13. “Em lugar do espinheiro, crescerá a faia, e, em lugar da sarça, crescerá a murta; isso será para o Senhor por nome, por sinal eterno, que nunca se apagará.” Esses versos (v.12,13) descrevem, de forma simbólica, a alegria da criação na ação redentora de Deus. Cumpridos em parte no retorno pós-exílico, os versículos são, em ultima análise, messiânico e escatológicos.
סיר ciyr ou (fem.) סירה ciyrah ou סרה cirah - espinho, gancho – palavra hebraica usada por quatro vezes, como sentido de espinho: Ecl.7.6;Is34.13;Naum 1.10; Oséias 2.6 diz que: “Portanto, eis que cercarei o teu caminho com, espinhos; e levantarei uma parede de sebe, para que ela não ache as suas veredas.”A proteção de Jeová – Essa atitude visa frustrar o propósito de Israel em buscar seus amantes, uma castidade forçada pelos espinhos. Israel seria forçado a se desinteressar pelos baalins. Temos aqui um gesto da graça e misericórdia divina querendo o bem da nação de Israel.
סלון cillown ou סלון callown - espinho, espinheiro – palavra hebraica usada no plural, por apenas uma vez: Ez2. 6. “E tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras; ainda que sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões, não temas as suas palavras, nem te assustes com o rosto deles, porque é casa rebelde.” Figuras de linguagem para espinhos..escorpiões..,vívidas acerca dos que queriam dificultar a vida do profeta. A missão profética é para a palavra. Esta leva em si uma força tal que, mesmo sendo rejeitada, se impõe. Aquele povo haverão de reconhecer que o Senhor lhes enviou um profeta. Enviou com dois objetivos: para que se salvem, se o aceitarem; para que não tenham desculpa, se o rejeitarem.
צן tsen- espinho – palavra usada por duas vezes no hebraico: Jó 5.5 e Pv22. 5. “Espinhos e laços há no caminho do perverso; o que guarda a sua alma retira-se para longe dele.” A Bíblia Viva parafraseando esse versículo diz “o homem que despreza a Deus anda por um caminho cheio de espinhos e buracos; quem dá valor a sua própria vida se afasta desse caminho.”
a. צְנִינִם Tseninim – A espinheiro – palavra hebraica usada no plural por duas vezes: Nm.33.55 e Js.23.13. Ambas as passagens faze referencia aos espinhos, só que no caso Josué as promessas de Deus não eram incondicionais. As condições para terem a benção de Deus estavam expressas na obediência aos seus mandamentos, à fé na sua providencia e a separação dos ímpios (3-13). Os textos de Números o faziam lembrar se os israelitas deixassem de lançar fora totalmente os cananeus ímpios e de destruir seus locais de culto idolatra, Deus faria os próprios cananeus lhes afligir, e Ele mesmo julgaria o seu povo. “Lançareis fora todos os moradores da terra diante de vós e destruireis todas as suas figuras; também destruireis todas as suas imagens de fundição e desfareis todos os seus altos;” “estejam certos de que o Senhor, o seu Deus, já não expulsará essas nações de diante de vocês. Ao contrario, elas se tornarão armadilhas e laços para vocês, chicote em suas costas e espinhos em sue olhos, até que vocês desapareçam desta boa terra que o Senhor, o seu Deus, deu a vocês.” NVI.
e) קוץ qowts ou קץ qots- espinho – termo hebraico usada por doze vezes: Gn3.18; Ex22.6; 2Sm23.6 etc. “Porém os filhos de Belial serão todos como os espinhos que se lançam fora, porque se lhes não pode pegar com a mão.” Aqui os ímpios são comparados aos espinhos, pelas suas perversidade serão lançados fora. Serão destruídos porque não querem saber de Deus nem do seu reino justo. (Sl.2.9;110.5,6)
קמשון qimmashown קמוש qimmowsh ou קימושׂ qiymowsh
procedente de uma raiz não utilizada significando picar; cardo ou urtiga, uma planta espinhosa ou sem serventia - espinho – palavra hebraica usada por apenas uma vez: Pv24.31 “eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície coberta de urtigas, e o seu muro de pedras de ruínas.” Versão Almeida Revisada e Atualizada – O texto (vv.30-34) faz menção ao mestre sábio que apresenta uma lição sobre a preguiça, ao observar a vinha abandonada de um preguiçoso. Ele faz uma observação (vv.30-31), uma interpretação (v.32), e uma aplicação (vv.33-34). O sábio é capaz de aprender até com o preguiçoso.
f) שמיר shamiyr espinho –procedente de no sentido original de picar שמר shamar; guardar, vigiar, observar, prestar atenção.A palavra hebraica que aparece por sete vezes: Is5.6;7.23;9.18;10.17;27.4 “Não há indignação em mim; quem me poria sarças e espinheiros diante de mim na grande guerra? Eu iria contra eles e juntamente os queimaria.” O retrato da mornidão de Israel para com o Senhor – os israelitas não são “espinheiros e roseiras bravas ou sarças” como as demais nações, mas tampouco confiam totalmente no Senhor. (29.13)
g) ακανθα akantha, espinho – palavra grega que aparece por quatorze vezes: Mt.7.16;13.7,22;27.29;Mc.4.7,18;Lc.6.44 etc.

h) σκολοψ (skolops) essa palavra grega aparece somente em 2 Cor.12.7. Nossa versão portuguesa a traduz por espinho, o que talvez esteja mais em consonância com a nossa maneira de dizer, embora o termo grego não signifique, realmente, espinho. É bom lembrar que σκολοψ (skolops) significando, pedaço pontiagudo de madeira, estaca, paliçada. Que vem da raiz σκελος (skelos) aparentemente de “skello” (secar,da idéia de magreza)
Visto que as várias palavras hebraicas foram usadas sem refletir qualquer classificação cientifica. No original grego, a palavra traduzida por espinho como já vimos é skolops. Esse termo não significa “espinho”, e, sim, “estaca”. Mas devemos entender a passagem em sentido metafórico, não importando muito a tradução exata do termo, contanto que a idéia seja transmitida. Alguns traduzem emprestando-lhe um sentido clássico: pelourinho, estaca, cruz, poste, haste etc. (Xenofontes – Anabases 5.2,5).
Todavia, opinião geral de comentadores e autoridades em exegese do Novo Testamento, que a melhor tradução é realmente “espinho”. Termo comum na LXX (nomenclatura da Sepuaginta – versão grega do Velho Testamento, que se diz ter sido feita por setenta tradutores do V.T ao tempo do rei Ptolomeu Philadelphus, que reinou em Alexandria 285 – 247a.C), em outros documentos gregos da era pós – clássicas, quando a palavra era, então empregadas para indicar “instrumento pontiagudo”.
Esse é único texto no Novo Testamento onde ocorre a palavra grega aqui referida. O termo grego τῇ σαρκί (tê sarki), está no donativo. Isto levou alguns estudiosos a conjeturar que provavelmente indicasse a localização do “espinho na carne”. A chave lingüística do Novo Testamento de Fritz Rienecker/Cleon Roger gramaticamente diz que τῇ σαρκί, o dat. é de vantagem “para minha carne” ou locativo “em minha carne”
Convém logo notar que a expressão “na carne” não indica necessariamente sofrimento físico, sem a referencia carne do apostolo, unida ao substantivo anterior, pode significar que ele recebeu “alguma provação” que fazia o efeito de um espinho na carne.
Se o espinho “na carne” for um mal físico, é obrigatório entender como igualmente de natureza física as “fraquezas” do vrs. 9(no singular) e 10, especialmente os dois últimos. Seria bastante à graça, a fim de receber a fortaleza de Cristo.
Figuras de Linguagem Usadas Para Espinho
Como muitas figuram de linguagem como de retóricas estão no contexto bíblico, os espinhos são um importante assunto em conexões metafóricas. Metáf oras é um objeto tomado por outro ou semelhança entre duas coisas que se aplicam num termo. E espinho neste sentido pode ser:
1. Em Ez. 28.24, referencia as ferroadas produzidas pelo paganismo, o espinho picador. “E a casa de Israel nunca mais terá espinho que a pique, nem espinho que cause dor, de qualquer que ao redor deles os roubam; e saberá que eu sou o Senhor Jeová”.
2. Em Mq. 7.4 é dito que os mais retos entre os habitantes da terra eram como o espinheiro, e os piores, como uma sebe de espinheiros. “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que o espinhal; veio o dia dos teus vigias, veio a tua visitação; agora será a sua confusão”.
3. Em Jó 5.5; “a sua messe a devora o faminto, que até dentre os espinhos a tira; e o salteador traga a sua fazenda.” Aludem as pessoas gananciosas, que arrancam o alimento até dos órfãos, mas que acabam perdendo tido em seu desvario.
4. Provérbios 15.19 “o caminho do preguiçoso é como a sebe de espinhos, mas a vereda dos retos está bem igualada.” - fala do caminho do preguiçoso, cercado de espinhos. Por causa de sua inércia, ele atrai contra si mesmo muitas dificuldades.
5. Eclesiastes 7.6 “Porque qual o crepitar dos espinhos debaixo de uma panela, tal é o riso do tolo; também é vaidade.” - fala do crepitar dos espinhos, no fogo, são assemelhadas as gargalhadas do insensato.
6. 2Sm. 23.6 “Porem os filhos de Belial serão todos lançados fora como os espinhos que se lançam fora, porque se lhes não pode pegar com a mão.” - os ímpios assemelham-se a espinhos, por serem inconvenientes e prejudiciais aos seus semelhantes.
7. Salmos 118.12 “Cercaram-me como abelhas, mas apagaram-se como fogo de espinhos; pois o nome do Senhor as despedaçou.” - os espinheiros são rapidamente consumidos pelas chamas, ilustrando o fim súbito que sobrevir aos tolos.
8. Naum 1.10 “Porque, ainda que eles se entrelacem como os espinhos e se saturem de vinho como bêbados, serão inteiramente consumidos como palha seca.” - no juízo divino, os ímpios são consumidos como palha seca, mesmo que entrelacem com espinhos.
9. Mt.7.16 Jesus os compara aos falsos profetas, com frutos maus e espinhentos. “Por seus frutos os conhecereis”. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?
10. Mc. 4.7 é usado como elementos que prejudicam a mensagem do evangelho, ou impedem-na de efetuar a sua obra, assemelha-se a espinhos. “E outra caiu entre espinhos, e, crescendo os espinhos, a sufocam, e não deu fruto.”
Diferenciando Fraqueza e Enfermidade
E disse: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois; gloriarei-me nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas. Porque, quando estou fraco, então, sou forte”.
A palavra original que se traduz por “fraqueza” ασθενεια astheneia, tem aplicação física e moral. Ao lado do substantivo, o verbo cognato, vertido em português por “enfraquecer”, “ser fraco”, encontra-se no sentido metafórico, no maior dos empregos das cartas paulinas.
Os interpretes tem sugerido várias interpretações acerca do “espinho na carne” de Paulo. Essas discussões sobre a espécie de doença que Paulo tinha e que chamou “espinho na carne”, apesar das excelências dos argumentos, não satisfazem plenamente, e não resolvem o problema. É questão obscura e bastante controvertida definir a natureza do espinho.
O que tudo parece indicar à hermenêutica bíblica está impossibilitado de alcançar uma solução satisfatória e definitiva do problema.
Algumas versões têm traduzido à palavra fraco, fraqueza por doenças, enfermidade, dando a entender o que realmente Paulo tinha era um problema físico, e isto causava muitos males.
Mas quando consultamos alguns dicionários, buscando a etimologia da palavra e seus significados, ai poderá entender alguns pontos fundamentais, sem precipitarmos em nossas conclusões.
O dicionário do grego do Novo Testamento de Carlos Rusconi – Paulus – define o termo assim: ασθενεια astheneia, - subst. < Asthenes – fraqueza.
 Inerente à natureza humana: inconsistente, fragilidade, ICo15. 43 – “Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor.”
 Deficiência física: enfermidade, doença, Lc13.11,12 “E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade havia já dezoito anos; e andava curvada e não podia de modo algum endireitar-se. E, vendo-a Jesus, chamou a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade.” – pneuma astheneia πνεῦμα ἀσθενείας, um espírito que provoca enfermidade.

I. Sentido espiritual:
 Insignificância, incapacidade- Rm8. 26 “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”
 Fraqueza, fragilidade- Hb5.2 “e possa compadecer –se ternamente dos ignorantes e errados, pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza.”
 Ser fraco, imperfeito- Rm4. 19 “E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já amortecido (pois era já de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara.”
 Fraco, frágil- Rm15. 1 “Mas nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos.”
II. Sentido material:
 Estar doente, enfermo- Lc4.40, IITm4.20 “Erasto ficou em Corinto, deixei Trófimo doente em Mileto.”
 Ser necessitado, indigente- At20. 35 “Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.”
 Lit. falta de força (formado de a, elemento de negação, e sthenos, força), indicando incapacidade de produzir resultados-IICo11. 30 “Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem.”
III. Sentido moral e ético: ICo8.7,10; 9.22 “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.”
IV. Retoricamente acerca da ação de Deus de acordo com estimativa humana: IICOR. 1.25 “Porque a loucura de Deus é mais sabia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.”
V. Usado em alusão ao corpo: ICo2.3; “E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.”
Como já foi exposto, astheneia, ασθενεια lit. carente de força, estar fraco, enfraquecido, independente como se tenha algum interpretado o texto se de forma literalmente falando o no sentido figurado da palavra, mas é bom entender que fraqueza não se refere propriamente enfermidade, ou seja, nem sempre uma pessoa fraca esta doente, apesar disso vai do que entendemos por enfermidade ou doença. Apesar do corpo enfraquecido este exposto às enfermidades, isso não refere necessariamente a doença. Mas geralmente quem está doente está fraco, debilitado.
A igreja de Corintos existia três tipos de pessoas, um distinto do outro, os fracos (ασθενης asthenes), os doentes (αρρωστος arrhostos) e os que dormem (κοιμαω koimao), lit. “Aqueles que caem no sono, morreram”. ICo11. 30
Paulo tem em mente três tipos ou classes de pessoas dentro da igreja, e isto fica claro que a palavra empregada nem sempre tem um único sentido. Alguns comentaristas acreditam que “alguns” da igreja por terem falhado ao participarem do potencial do poder na celebração da ceia do Senhor e abusarem do seu significado, estavam sob aflição ou tinham sofrido morte prematura. O comer... beber... indignamente v.27, significa participar da mesa do Senhor com um espírito indiferente, egocêntrico e irreverente, sem qualquer intenção ou desejo de abandonar os pecados conhecidos e de aceitar a concerto da graça com todas as suas promessas e deveres.